segunda-feira, 5 de março de 2012

Audiovisuais


            Como proposta de atividade foi sugerida leitura, análise e comentários do segundo capítulo do módulo que trata sobre os audiovisuais e sua relação com a educação, inclusive desde os primórdios do ensino em nosso país.
            Desta forma este capítulo, de autoria de Laura Maria Coutinho, traz conceituações sobre cinema, televisão e recursos audiovisuais em geral com a educação. Ao conhecermos tal relacionamento é notório a antiga intencionalidade governamental em diversificar a forma de ensino no país, visando promover certa atratividade à tarefa de educar neste país.
            Como exemplo de tal objetivo cito duas realidades: o livro didático – forma unilateral e muitíssimo utilizada nos meios educacionais – e a compra pelo Estado do Paraná das televisões multimídias, destinadas a todas as salas de aula deste Estado como forma de melhorar a prática pedagógica.
            Nesta unidade a autora apresenta as mais relevantes iniciativas governamentais relacionadas ao audiovisual. Começa por falar do INCE (Instituto Nacional do Cinema Brasileiro), criado em 1936 por Edgard Roquete Pinto, também considerado o precursor da radiodifusão no Brasil. Tal órgão surgiu da necessidade política em se valorizar a cultura brasileira e aproximá-la da população, na tentativa de incuti-lá na vida social e particular dos sujeitos. Essa iniciativa ainda pode ser percebida nos dias atuais em algumas obras cinematográficas americanas, que costumeiramente elencam a bandeira do país, símbolos sociais, folclóricos, dentre outros, inseridos nas superproduções, de modo a instigar um patriotismo e valorização nacionais.
            Outrora, essa iniciativa encontrou dificuldades devido ao fato de estar mais voltada a produção que a veiculação do que estava sendo produzido. Educar pelo cinema, na década de 30 e 40 se tornou difícil devido a resistência intelectual da população, ainda não preparada para tanto.
            Outro importante projeto foi o Projeto SACI (Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares), criado por volta de 1970. Ele estava relacionado a doutrina de segurança nacional e demandou muito esforço e investimento, que esbarraram na época vivida pelo Brasil: o Regime Militar. De um lado a compra de um equipamento (satélite) que aumentava exponencialmente a capacidade de transmissão de sinais de televisão e telefonia e de outro os enfrentamentos sociais e a postura das escolas públicas e particulares, oprimidas pela sensação de cárcere das opiniões e concepções educativas.
            Como saldo disto, ou melhor, consequencia do projeto SACI, vimos o desenvolvimento das tele-aulas, da educação a distância e do rompimento do modelo clássico de ensino: professor e aluno em disposição linear, dividindo o mesmo espaço e tempo.
            Como pioneiros nesse campo de educação não presencial se encontraram os Estados do Ceará e Maranhão, que viram nesse formato de ensino uma saída emergencial  para os problemas de evasão, escassez de profissionais e desvalorização da educação em seus domínios. Os números comprovam que mesmo com os limites da educação a distância, sem a utilização qualitativa dos recursos audiovisuais e com restrições a tal ensino, mais de 220 mil alunos participaram desta iniciativa.
            Chega-se assim, segundo a autora, ao Programa Salto para o Futuro, destinado à formação dos docentes, a distância e financiado pelo FNDE (Fundo de Desenvolvimento Educacional), relacionado ao MEC (Ministério da Cultura). Para ela o grande retrocesso deste projeto foi a mudança de transmissão de canal aberto para veiculação anexa a programação da TV Escola, com sinal fechado. Contudo, a qualidade das discussões e as parcerias estabelecidas pelo projeto superam em muito as expectativas dos profissionais da área.
            Por fim temos o Sistema Nacional de Educação a Distância e a TV Escola, ambos grandes iniciativas do governo em melhorar o ensino e a formação dos cidadãos no país, seja em nível básico, médio ou superior. Como ponto positivo principal a autora destaca a compra e repasse de kits multimídias, disponibilizado para escolas e instituições com dificuldades físicas de oferta de ensino. 

            Foram propostas duas reflexões, que seguem apresentadas na sequencia:

          (clique na imagem para ampliar)

            No 1º item, o problema apresentado – o de que telessalas ainda funcionam com a mesma disposição de salas de aula com ensino presenciais – carece de atenção. São importantes partimos de dois pontos: formação dos docentes para aumentar a utilização de outros recursos audiovisuais, diversificando o ensino e menor flexibilidade dessa modalidade de ensino. Não se pode pensar na educação, na formação e qualificação de sujeitos como um “buffet” de conteúdos, onde cada um pega, se serve apenas do que gosta. Tal ensino, mesmo transpondo barreiras geográficas e temporais, necessita de rigorosidade quanto à critérios de avaliação, diretrizes curriculares, políticas de ensino, parâmetros curriculares, etc. 
       Em relação a segunda informação,  pode-se dizer que é mais complexa que a primeira, e nos remete a diversas premissas e conhecimentos sobre a construção e aspectos históricos da educação no Brasil. A meu ver, não é a educação a distância que diferencia a escola dos pobres e dos ricos. Tal distinção está posta desde as aulas régias, marco inicial da educação no país. A situação financeira sempre esteve relacionada a qualidade do ensino e a disseminação pela mídia e pela maioria burguesa de que a coisa pública não tem qualidade, de que o público não tem dono corrobora para a manutenção desse pensamento: que a educação a distância forma mal as pessoas, pessoas essas obrigatoriamente pobres. No outro ponto apresentado pela ideia da autora, de que houveram demissões e falta de contratação de novos docentes, o que fomentou a educação por orientadores ou tutores  também sugere uma discussão profunda. A realidade do Estado do Ceará difere da realidade vivida no Estado do Paraná. Enquanto um faz uma troca simplista de docentes por orientadores, as vezes sem formação qualificada, o segundo traz uma educação simultânea, com campo de trabalho para ambos profissionais e com investimentos pesados na área da educação. Isso se deve, primordialmente, as políticas públicas. O Paraná, por exemplo, investe mais do que o exigido pela Constituição Federal na Educação, o que traz diversos benefícios, tanto estruturais quanto pedagógicos. É discutir para mudar. Esse é o caminho, no qual nosso Estado está a algum tempo, onde a caminhada é contínua, ultrapassando Governos e atentando para o povo.
 
          Até a próxima aula... Abraços

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